I.
Tem coisas que o silêncio fica cochichando
É tão sutil
tão morno
Quanto aqueles sonhos conscientes
Em que você consegue ascender as luzes
Mas não pode evitar sentir medo
(embora ninguém perceba que você o sente)
II.
Andaram me perguntando quando eu iria voltar a escrever
Mas ninguém sabe
que eu só continuo
trocando de endereço
de nome
de papel
Só a palavra eu não consigo trocar por nada
Porque ela mora em mim
Na ponta dos dedos
No fundo do peito
III.
Correndo a passos largos
pra fugir do amor
Quem diria- depois de tantos mergulhos
que eu fosse ter medo
de me afogar?
IV.
Mas existe uma centelha, é claro
de esperança que você - é, você
depois de tanta conversa à toa
Tente pensar um pouco além
Depois de todos esses pequenos prazeres
que os dias nos proporcionam
Pense em andar de mãos dadas pela vida comigo
Afinal, já foram tantos os riscos que corremos
que ,com certeza,
Já sabemos nadar
V.
São essas as conjecturas
que o tempo anda gotejando
e o silêncio, cochichando
pra mim.
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