I.
Solidão
São tantos os que dizem entender
O que é viver nessa borda
Entre um lugar onde tudo é cinza
E um que tem as cores todas saturadas
Só a solidão sabe e conhece
Ela desenhou a borda
II.
Eu perdi meus amigos
Ou talvez nunca os tenha tido
Mas não é real o que dizem
Que a gente não perde o que já teve de fato
Eu não diria isso
Se perdesse meu livro preferido
III.
Mas a verdade é que
Quem fica
Vira o que se chama vulgarmente
De família
IV.
Durante as manhãs eu afogo meus medos
No café
A cidade faz tanto barulho
E esquece de sorrir
E eu lembro
Que o mar fala muito mais, conta histórias
Mesmo quando estou na praia sozinha
V.
De onde vem esse estranhamento
De achar que por tantas vezes
Não pertenço a lugar algum?
Como uma mesa vermelha
Em meio a uma mobília cinza
Por vezes parece que não deveria estar ali
Mas eventualmente
É como se tudo só fizesse sentido
Com
aquele ponto de cor