segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Borda

 

I.                    Solidão

São tantos os que dizem entender

O que é viver nessa borda

Entre um lugar onde tudo é cinza

E um que tem as cores todas saturadas

Só a solidão sabe e conhece

Ela desenhou a borda

 

II.                 Eu perdi meus amigos

Ou talvez nunca os tenha tido

Mas não é real o que dizem

Que a gente não perde o que já teve de fato

Eu não diria isso

Se perdesse meu livro preferido

 

III.              Mas a verdade é que

Quem fica

Vira o que se chama vulgarmente

De família

 

 

IV.              Durante as manhãs eu afogo meus medos

No café

A cidade faz tanto barulho

E esquece de sorrir

E eu lembro

Que o mar fala muito mais, conta histórias

Mesmo quando estou na praia sozinha

 

V.                De onde vem esse estranhamento

De achar que por tantas vezes

Não pertenço a lugar algum?

Como uma mesa vermelha

Em meio a uma mobília cinza

Por vezes parece que não deveria estar ali

Mas eventualmente

É como se tudo só fizesse sentido

Com aquele ponto de cor