I.
A noite seguiu balançando meu cérebro com as coisas sobre as
quais não quis pensar
Mas penso – porque me nego a negar
Às vezes o amor é um líquido muito quente
Colocado em recipiente de vidro
- somos suscetíveis a quebrar – depende dos detalhes de que
somos feitos
Depende do que já passamos
Do que restou de nós
Do que refizemos – ou deixamos para trás
II.
Das quatro estações
Eu esperei pelo verão só para te ter aqui
E agora que estás presente
Preciso do inverno e da chuva
Chamar-te pra um café, um chá
Preciso te aquecer com um calor que emana de dentro
respirar ar frio e
aquecer nosso lar
Onde cada cor, cada peça importa
Onde cada fio de cabelo teu perdido no travesseiro
Deixa um pouco de identidade e significado
Onde os silêncios possuem certo conforto – bem como as
palavras e músicas
III.
Os nossos medos são amigos falsos
Invadem nossa privacidade, deixam a casa suja
A alma fica suja – e aí eles se vão
Temos que descansar
Deixar as lágrimas lavarem
Aprender a não deixá-los mais entrar
E ainda exaustos, limpar a bagunça que foi feita
Para que ela não fique ali entulhando nossos dias
Mas aprendemos – temos de aprender
Essa é a terapia do trabalho
Essa é a rotina do amor
IV.
O amor é o que fica depois do temporal
É a disposição
É o silêncio enquanto mapeamos a alma
é vontade de ser em conjunto e continuar sentindo
O amor é o que somos quando sobrepomos todas as estações do
ano.