quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Reflexo

As vezes todas as minhas percepções são tortas
Ou não existem mais
A minha cabeça tem guardada tua covinha quando te vi sorrir de verdade pela primeira vez
E estendi minha mão para te tocar com a ponta dos dedos
Se for seu lugar no mundo comigo
Enquanto vejo meu reflexo numa xícara de café
Diante das luzes do céu colorido ao entardecer
- estou ficando velha e ainda falta muito para ficar de verdade


Sempre tem algo novo germinando em mim
E eu penso tanto em ti
Espero que isso não me consuma
É tão fácil tudo ficar difícil e ainda continuar existindo
Mas é ainda uma antítese complexa porque também pode ser o contrário
É que a vida é mesmo essa lacuna
De existir e continuar procurando
De tentar fazer o que ainda não se fez sempre de um jeito diferente


Quisera eu ser a mais sábia dessas pessoas que passam pela Terra
Creio que meus olhos só vejam o óbvio
E minhas palavras o tornem mais belo
- observo as linhas das coisas
Preciso prestar atenção
O momento passa
Mas sempre fica guardado
Quando se trata de ti.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Voltas

 Você nunca pode correr de nada

O caos é uma fantasia de fada

Que brilha

E diz que você escolhe sua direção 

Enquanto aproveita

A queda

Se chove forte e você lembra

Das pessoas que não estão 

Saudade, sua filha da puta

É só uma nuvem escura demais

No céu vasto/ no mundo nefasto 

Todo mundo finge que sabe quem é

Mas estamos todos dando voltas

Em nosso próprio 

labirinto.

sábado, 21 de novembro de 2020

Sapatos desgastados

 

Tem um ar de rascunho

a escrita

e a vivência
de vazio
falta de nexo
e sapatos pretos
tão desgastados
do andar sonolento
e do tempo
jamais alcançado
ou certo
por um momento sequer

E os sons
eu desconheço
fundida ou só
me perco
sempre alcanço
o apreço
da invisibilidade.

sábado, 21 de março de 2020

Estivemos aqui

I.
Perdi-me no que sou
Se é que sou o que já pensei ser
Considerando que a vida é feita de tantos ciclos
Cheios de metamorfose
E eu que perdi meus pedaços de papel e não sei nem onde
Levanto algumas hipóteses
Tudo é surreal

II.
E se eu desistir da ideia do que minha palavra já foi
E comprar papéis novos
Uma roupa nova para um novo corpo
-
O tempo é nosso maior amigo
E também nosso pior inimigo

Junto com todas as xicaras de café que eu me esqueço de acabar – e esfriam.

III.
É o começo do outono
As palavras ficam mais fortes
Enquanto o mundo anda no limiar do caos
E eu sempre te tenho
Na alma, no corpo, na ponta dos dedos
Eu sorrio porque sei que olhando para o lado
Teu sorriso é como uma música preferida – sempre mais bonita cada vez que toca

IV.
Tem dias que são feitos de silencio
E ali nos sentimos mais presentes no mundo
Vemos a vida passar na varanda
Os sons que compõe todos os nossos dias- e que raramente paramos pra ouvir
Tudo pode ser bonito
Os pequenos pés sujos de correr na grama – a infância
A covinha que aparece quando você sorri
As pequenas marcas que deixamos na casa
- estivemos aqui
O céu parece sempre mais azul
Tudo vai passar
Menos os momentos
Que acabam por fazer parte de nós.