quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O lar invisível

Moro num banco gélido
Não tenho sequer a pretensão de sair
Por que sairia?
A vida me alcança em qualquer lugar
- talvez só me falte uma caneca de chá
Mas, bem, deixo-me inspirar o frio
Que nem sempre aparece
Junto ao teu zelo
Ou ao teu cabelo
Molhado depois do banho

Tenho uma inquietação
Quase descompromissada
Como os cadarços
Do meu sapato
Que há muito não amarro
Deixo-os com os mesmos nós sempre
E só calço
E ando
Alcanço
Alguma sanidade, talvez
Ou a rispidez das palavras
Que troco comigo mesma
Aquele infinito diálogo interno

Espero que você esteja bem
Espero
A banda passar, o vento cantar
Alguma coisa sacudir-me aqui
Em meu lar
Invisível
Tanto quanto eu
 imenso e maravilhoso breu
Onde quero sempre habitar
De solidão e identidade
Antes que eu esqueça
Que o vazio de existir é o melhor

Porque pode ser preenchido com o tempo.