I.
Num vendaval de mudanças do que consigo descrever
sobre o que seria um dia
Quando na verdade já se passaram anos
O tempo sempre é tudo mas não significa nada
Dobre uma folha
Você tem algumas linhas no rosto
É uma dobra do tempo
Uma escultura em andamento
Que se desmancha e se faz de novo
Uma obra de arte
Uma folha amarela numa edição rara
Carrega tudo o que há de precioso, sorriso infantil
E a própria vida em si
II.
Um dia eu fui só toda sombra que havia em mim
Existindo , tão densa, engolindo minha própria vida
Quando tudo é cinza, e você deita sobre a própria tristeza
Ninguém me disse
Fiquei esperando que alguém me salvasse
Até saber
Que eu estava esperando a mim
Minha mão
Meu fôlego
Minha joie de vivre – que me desse uma centelha a que me agarrar
E fui – abandonei aquele corpo inerte – o meu
Seguindo em direção à luz, seguindo em direção ao mar
III.
Todos os dias têm luz e sombra
Convido meus medos para tomar um café
Sigo naquele quarto cheio de gente sempre sendo a minha
própria presença viva, consciente
Converso com minha alma
Em algum momento, todo mundo já quis que o mundo inteiro
ficasse em silêncio
Porque são muitas vozes falando ao mesmo tempo
E tropeçamos em nossos próprios pés, ou em sentimentos
Há tantas coisas que esqueço de fazer
Coisas que esqueço de ser
Mas não sou uma expectativa – estou sempre mudando e
florescendo
Com todas as partes de mim.