segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Centelhas

 

I.                    Num vendaval de mudanças do que consigo descrever sobre o que seria um dia

Quando na verdade já se passaram anos

O tempo sempre é tudo mas não significa nada

Dobre uma folha

Você tem algumas linhas no rosto

É uma dobra do tempo

Uma escultura em andamento

Que se desmancha e se faz de novo

Uma obra de arte

Uma folha amarela numa edição rara

Carrega tudo o que há de precioso, sorriso infantil

E a própria vida em si

 

II.                  

Um dia eu fui só toda sombra que havia em mim

Existindo , tão densa, engolindo minha própria vida

Quando tudo é cinza, e você deita sobre a própria tristeza

Ninguém me disse

Fiquei esperando que alguém me salvasse

Até saber

Que eu estava esperando a mim

Minha mão

Meu fôlego

Minha joie de vivre – que me desse uma centelha a que me agarrar

E fui – abandonei aquele corpo inerte – o meu

Seguindo em direção à luz, seguindo em direção ao mar

 

III.

Todos os dias têm luz e sombra

Convido meus medos para tomar um café

Sigo naquele quarto cheio de gente sempre sendo a minha própria presença viva, consciente

Converso com minha alma

Em algum momento, todo mundo já quis que o mundo inteiro ficasse em silêncio

Porque são muitas vozes falando ao mesmo tempo

E tropeçamos em nossos próprios pés, ou em sentimentos

Há tantas coisas que esqueço de fazer

Coisas que esqueço de ser

Mas não sou uma expectativa – estou sempre mudando e florescendo

Com todas as partes de mim.