I.
Sobre linhas tênues entre deixar livre
E desistir
Nuca abra a porta
Sem perguntar se eu estou com frio
Ou se eu pretendo sair sem te levar
(a verdade é que nunca pretendo)
-
Não desliga tua mente
somos uma constante mutação
Todas as fases tem beleza
Lágrimas tem o sol da manhã pra secar
E o único oposto ao amor
é a indiferença
II.
Eu te vi nos tons de azul do céu
E no cinza das nuvens que trazem a chuva
Saudade que dói
Força em cada passo e também nesse espaço
que nos separa para os dias
em que iremos a pintar rotina com cores próprias
III.
Objetos antigos, decorativos
Tapetes velhos
Poemas do Rilke
Um pouco de poeira
Dias de verão
Corações se aquecem
Com memórias que ficam
Sensações miúdas e gostosas
Sentir os pés no chão
Sentir fusão do que somos
Vida normal
Tudo o que sempre quis
Ser única e também ser parte.
domingo, 30 de setembro de 2018
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Se você quiser viver comigo
Talvez eu esteja doente
- será que tomei o remédio
ou o arremessei
pela janela do prédio?
Minhas olheiras bem roxas
Crateras da lua
Num rosto pálido
Bem, as feridas que o tempo não cura
Tornam-se literatura
- ainda que tardia (porque Castro Alves não pode me ler)
Queria sentir o sabor do mundo
Na ponta da língua
Que aponta como bússola inocente
Em direção às vontades futuras
Fica escondida atrás de um sorriso mal esculpido
Esperando a seta do cupido
Atravessar o peito do moço de óculos
De ar displicente
Temerosa fui eu – e descrente
Fiz planos como se troca de roupa
E os deixei de lado
Será que você me esperou parado?
Mesmo que eu melhore meu café
E ele não fique tão forte
Mesmo que eu regue teu coração com carinho
Ou negue as balas de gelatina
Que eu pretendia colocar em compotas de vidro
na cozinha
Eu te envio paciência e livros
E espero que você aguente viver comigo
A Terra gira
Em torno do nosso umbigo
E das belas fotografias
Enquanto a mente propaga-se em teorias
ela deve estar se afogando no dilúvio
Dessas semanas
E estamos batendo pernas
Molhando sapatos e afundando em poças
Quando deveríamos estar fundidos em cobertores, na cama.
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Lei física
Hoje eu sinto saudade
Não é tão sadio, na verdade
É uma longa fila de minutos à espera
Que eu preciso engolir
Junto com os traços malfeitos
Dos versos que eu rabisquei
Na sacola do supermercado
Por que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço?
sábado, 1 de setembro de 2018
Pássaros
I.
Um clarão entre todas essas nuvens escuras
Coisas que antes assustavam
Agora lembram você
e a vontade que eu tenho de enfrentar coisas inusitadas
já que os medos não fazem mais sentido
II.
Tem dias solitários em que sua companhia é tão presente
Nessas músicas que a gente escuta
Nos passos de dança bamba
Na ponta dos dedos folheando livros
No vapor quente que sai do café
Na maciez da tua pele à distância
nas coisas que nomeiam saudade
e te tornam real
III.
Queria te contar
que ontem adormeci com o gosto das coisas
que ainda não pude te dizer
tão francamente
Que você lembra aquelas esculturas difíceis de interpretar
mas que são tão bonitas
que uma vez admirando
é impossível manter distância
- como os pássaros de papel do Kiefer -
você me dá asas gigantes
IV.
Vem dançar comigo
Esse tempo é tão nosso
Todo tempo
é nosso
Agora e depois
preenchemos lacunas
Todo mundo fica confuso
enquanto a gente sorri
É que as nossas asas
Só são vistas por nós.
Um clarão entre todas essas nuvens escuras
Coisas que antes assustavam
Agora lembram você
e a vontade que eu tenho de enfrentar coisas inusitadas
já que os medos não fazem mais sentido
II.
Tem dias solitários em que sua companhia é tão presente
Nessas músicas que a gente escuta
Nos passos de dança bamba
Na ponta dos dedos folheando livros
No vapor quente que sai do café
Na maciez da tua pele à distância
nas coisas que nomeiam saudade
e te tornam real
III.
Queria te contar
que ontem adormeci com o gosto das coisas
que ainda não pude te dizer
tão francamente
Que você lembra aquelas esculturas difíceis de interpretar
mas que são tão bonitas
que uma vez admirando
é impossível manter distância
- como os pássaros de papel do Kiefer -
você me dá asas gigantes
IV.
Vem dançar comigo
Esse tempo é tão nosso
Todo tempo
é nosso
Agora e depois
preenchemos lacunas
Todo mundo fica confuso
enquanto a gente sorri
É que as nossas asas
Só são vistas por nós.
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