Talvez eu esteja doente
- será que tomei o remédio
ou o arremessei
pela janela do prédio?
Minhas olheiras bem roxas
Crateras da lua
Num rosto pálido
Bem, as feridas que o tempo não cura
Tornam-se literatura
- ainda que tardia (porque Castro Alves não pode me ler)
Queria sentir o sabor do mundo
Na ponta da língua
Que aponta como bússola inocente
Em direção às vontades futuras
Fica escondida atrás de um sorriso mal esculpido
Esperando a seta do cupido
Atravessar o peito do moço de óculos
De ar displicente
Temerosa fui eu – e descrente
Fiz planos como se troca de roupa
E os deixei de lado
Será que você me esperou parado?
Mesmo que eu melhore meu café
E ele não fique tão forte
Mesmo que eu regue teu coração com carinho
Ou negue as balas de gelatina
Que eu pretendia colocar em compotas de vidro
na cozinha
Eu te envio paciência e livros
E espero que você aguente viver comigo
A Terra gira
Em torno do nosso umbigo
E das belas fotografias
Enquanto a mente propaga-se em teorias
ela deve estar se afogando no dilúvio
Dessas semanas
E estamos batendo pernas
Molhando sapatos e afundando em poças
Quando deveríamos estar fundidos em cobertores, na cama.
Nenhum comentário:
Postar um comentário