domingo, 30 de junho de 2013

Mariana

Quantas coisas melhoram
quando o sol desaparece
Mariana se perde
na noite
e dança
na varanda
encanta, menina
canta sua sina
de ser sempre criança

Acho que você me prometeu
um dinossauro de verdade
ou um monstro de duas cabeças
você está em boa idade
use a memória
não esqueça
hei de cobrar essa história

Fotografa o mundo
documenta o escuro
sem medo do campo
sabe o quanto é amplo
o espectro da existência
mas vagarosa, em paciência
sorri
que a vivência
há de vir.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Despertar

O céu de um azul cristalino
clareia vagarosamente minha visão
através da janela da sala
que torna-se minha pequena casa
enquanto o mundo dorme

E quanto à TV
geralmente é uma tela apagada
que perde crédito em comparação
a um pedaço de papel
ou ao próprio céu
que eu posso espiar
acordando
e morando enrolada num cobertor

Em meio aos retratos de família
montes de sorrisos engraçados
me seriam válidos quadros
ou fotografias
de um sorriso perfeito
que eu levo no peito
quase sem perceber

Escuta, querido
ontem à noite você perdeu a Lua
e eu a encontrei
em meio a loucura
mas aquieta-te bem
que a sanidade sempre vem
em algum momento
nem que seja
quando eu desperto.

empatia na solidão

Como roer as unhas
e dizer coisas sem sentido
a angústia é rotina
de quem há muito vive instável, volúvel
nada criável
em mente tão descontente

Sentei-me no banco do ônibus
e ao moça ao lado tocava a janela
com a ponta dos dedos
na dor de seus antigos pesadelos
e senti minha tristeza se compadecendo

Queria segurar a mão da moça
apenas para que soubesse
que quando se anda na contramão
é normal respirar solidão
mas há sempre alguém
respirando o mesmo ar
e sentindo o desdém
do resto do mundo.