I.
Vi alguns aviões passarem
com seu rastro branco no céu
Quando criança pensava
que aviões fabricavam nuvens
Quando a gente é inocente
não sabe a diferença entre beleza
e toxicidade
II.
Vi teus pequenos sapatos brancos - e chorei
a primeira coisa que amei
foram pés
pequenos e incrivelmente perfeitos
por simplesmente
serem pés
III.
Penso sobre o tempo e nossos planos
são como aqueles blocos de madeira
Conseguimos construir qualquer coisa
E quase sempre é possível
começar de novo
IV.
Fazemos tratados sobre saudade
não sabemos como partilhar e proteger nossas almas
- simultaneamente
mas tentamos
Admiro a coragem
do que somos
-cada um de nós-
empilhando esses blocos
com tanta calma e carinho.
sábado, 25 de agosto de 2018
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
aquecimento não-global
I.
Estive me perguntando se ainda sei
pedalar na bicicleta
se faz tantos anos
que não entro nesse fluxo
observando tudo -pensando demais pra não perder o costume
ventilando minha mente
sobre tudo o que sinto e não digo
- mas escrevo
II.
Eu lembro como é a sensação
de tocar o vento
enquanto pedalo - me segurando com uma mão só
é como o amor
lento, agradável, cheiroso
e cheio de riscos
III.
Dizem que silêncio se responde com silêncio
eu acho que teu silêncio quando muito
me faz pensar em abraços longos
e coisas
que são inexprimíveis
e que a gente só vive, sente - flui
IV.
Queria sentir o cheiro da grama
as estações aqui andam muito compridas
sinto falta do sol
e de ti
fenômenos naturais que aquecem o corpo
e a alma
V.
Voz de sono - quando a gente fala sobre segredos
imagina quantos sóis morando
dentro de uma casa
conosco
teríamos os corações
mais aquecidos dessa cidade.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Indizível
Percebo-me em paz e sorrio. A paz da esperança.
Quando passo horas com meus botões e escrevo um poema bobo. Leio pra Susan, dou risada sozinha e apago. Sento na varanda de manhã cedo, ouvindo os pequenos sons do despertar da cidade. É um ruído suave que sempre me deu sensação de completude.
Olho as cores no céu. Penso em coisas infinitas e inexplicáveis e troco um olhar conspiratorio com minha alma. Há uns anos, eu odiava o tempo. Me fazia sentir presa, as esperas me doíam e nada daquilo tinha sentido. Era uma caixa grande me esperando. Dava medo. Hoje, ouvindo o som da manhã, eu estou feliz porque existe o tempo. Medida divina. Olho as dores passadas e sinto o alívio do presente. Logo, sei, ou tenho uma ideia, de que as coisas se encaixam de novo, se eu me permito tentar.
Aliás, acho que o grande brilho da existência é aquilo que nunca vou conseguir explicar. Os sentimentos, as criações, a beleza de cada cor no céu, o tempo, a fé, a esperança. Esse amor sólido que vem com a maternidade. Acho que a frase de Rilke finaliza bem: "e a longa experiência do amor, justo o que é absolutamente indizível."
Quando passo horas com meus botões e escrevo um poema bobo. Leio pra Susan, dou risada sozinha e apago. Sento na varanda de manhã cedo, ouvindo os pequenos sons do despertar da cidade. É um ruído suave que sempre me deu sensação de completude.
Olho as cores no céu. Penso em coisas infinitas e inexplicáveis e troco um olhar conspiratorio com minha alma. Há uns anos, eu odiava o tempo. Me fazia sentir presa, as esperas me doíam e nada daquilo tinha sentido. Era uma caixa grande me esperando. Dava medo. Hoje, ouvindo o som da manhã, eu estou feliz porque existe o tempo. Medida divina. Olho as dores passadas e sinto o alívio do presente. Logo, sei, ou tenho uma ideia, de que as coisas se encaixam de novo, se eu me permito tentar.
Aliás, acho que o grande brilho da existência é aquilo que nunca vou conseguir explicar. Os sentimentos, as criações, a beleza de cada cor no céu, o tempo, a fé, a esperança. Esse amor sólido que vem com a maternidade. Acho que a frase de Rilke finaliza bem: "e a longa experiência do amor, justo o que é absolutamente indizível."
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Palpite
I.
Ocupando a mente
Gasto coisas - gasto a mim
Enquanto tento achar pistas
Remotas
De que esse seu sorriso insolente
Seja um pouco por minha causa
Que eu não precise perguntar
Coisas que ecoem contra mim
Tenho tanto cuidado a oferecer
Mas sou ciente do quanto também preciso
II.
Talvez passe
Tem coisas que só existem pra dar vida a versos
E depois vão embora
Como aquelas nuvens escuras
Em fim de dias de verão
Como esses amores que nunca são
III.
Um amigo me disse
Que eu deveria seguir meus próprios conselhos
Mas no fim eu sempre sigo
Eu só brigo um pouco comigo
Nada muito violento
Essas coisas de dialética
Também servem pra monólogos
IV.
Afinal, quantas canecas de café
servem uma mente acesa?
E quantas xícaras de chá
aquietam borboletas imaginárias?
Eu acho que você sabe as respostas
- pra quase tudo-
E não faz tanta questão de responder.
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Sabemos nadar?
I.
Tem coisas que o silêncio fica cochichando
É tão sutil
tão morno
Quanto aqueles sonhos conscientes
Em que você consegue ascender as luzes
Mas não pode evitar sentir medo
(embora ninguém perceba que você o sente)
II.
Andaram me perguntando quando eu iria voltar a escrever
Mas ninguém sabe
que eu só continuo
trocando de endereço
de nome
de papel
Só a palavra eu não consigo trocar por nada
Porque ela mora em mim
Na ponta dos dedos
No fundo do peito
III.
Correndo a passos largos
pra fugir do amor
Quem diria- depois de tantos mergulhos
que eu fosse ter medo
de me afogar?
IV.
Mas existe uma centelha, é claro
de esperança que você - é, você
depois de tanta conversa à toa
Tente pensar um pouco além
Depois de todos esses pequenos prazeres
que os dias nos proporcionam
Pense em andar de mãos dadas pela vida comigo
Afinal, já foram tantos os riscos que corremos
que ,com certeza,
Já sabemos nadar
V.
São essas as conjecturas
que o tempo anda gotejando
e o silêncio, cochichando
pra mim.
Tem coisas que o silêncio fica cochichando
É tão sutil
tão morno
Quanto aqueles sonhos conscientes
Em que você consegue ascender as luzes
Mas não pode evitar sentir medo
(embora ninguém perceba que você o sente)
II.
Andaram me perguntando quando eu iria voltar a escrever
Mas ninguém sabe
que eu só continuo
trocando de endereço
de nome
de papel
Só a palavra eu não consigo trocar por nada
Porque ela mora em mim
Na ponta dos dedos
No fundo do peito
III.
Correndo a passos largos
pra fugir do amor
Quem diria- depois de tantos mergulhos
que eu fosse ter medo
de me afogar?
IV.
Mas existe uma centelha, é claro
de esperança que você - é, você
depois de tanta conversa à toa
Tente pensar um pouco além
Depois de todos esses pequenos prazeres
que os dias nos proporcionam
Pense em andar de mãos dadas pela vida comigo
Afinal, já foram tantos os riscos que corremos
que ,com certeza,
Já sabemos nadar
V.
São essas as conjecturas
que o tempo anda gotejando
e o silêncio, cochichando
pra mim.
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