quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Indizível

Percebo-me em paz e sorrio. A paz da esperança.
Quando passo horas com meus botões e escrevo um poema bobo. Leio pra Susan, dou risada sozinha e apago. Sento na varanda de manhã cedo, ouvindo os pequenos sons do despertar da cidade. É um ruído suave que sempre me deu sensação de completude. 
Olho as cores no céu. Penso em coisas infinitas e inexplicáveis e troco um olhar conspiratorio com minha alma. Há uns anos, eu odiava o tempo. Me fazia sentir presa, as esperas me doíam e nada daquilo tinha sentido. Era uma caixa grande me esperando. Dava medo. Hoje, ouvindo o som da manhã, eu estou feliz porque existe o tempo. Medida divina. Olho as dores passadas e sinto o alívio do presente. Logo, sei, ou tenho uma ideia, de que as coisas se encaixam de novo, se eu me permito tentar.
Aliás, acho que o grande brilho da existência é aquilo que nunca vou conseguir explicar. Os sentimentos, as criações, a beleza de cada cor no céu, o tempo, a fé, a esperança. Esse amor sólido que vem com a maternidade. Acho que a frase de Rilke finaliza bem: "e a longa experiência do amor, justo o que é absolutamente indizível."

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