segunda-feira, 15 de abril de 2019

Semi Sonho


    

Uma e meia
E eu tinha comprado um despertador vagabundo pra me acordar
Mas o tiquetaquear é absurdo
E eu fico sem sono
Ainda mais com essa sensação de estar no lugar errado
Ouvindo o Sabiá cantar lá fora
E pensando:
“É só mais um desajustado no mundo
O pobre pássaro também perdeu a hora”

                  O quarto é escuro
E guarda certas memórias
Como uns grãos de terra que eu me esqueci de aspirar
E ficam gritando no chão
Que você esteve aqui
-
                 Moro onde não é meu lugar
Eu só consigo sonhar quando vejo teus olhos
Antes de fechar os meus
É o fim do fim de semana
E eu fico rolando na cama
Trocando de lado
Pensando no absurdo
De saber que “está sobrando espaço”


             Casa é onde mora o coração
Mas que tal uma aliança
Uma lembrança
Um casamento com fogo
- tipo festa de São João
E um lar
Só pra eu acordar e te matar de beijo
E café – e chá- e chocolate
Que você nem vai tomar
“Querida, volta pra cama

É domingo e a gente pode se amar até tarde”  

domingo, 10 de fevereiro de 2019

A rotina do amor


I.
A noite seguiu balançando meu cérebro com as coisas sobre as quais não quis pensar
Mas penso – porque me nego a negar
Às vezes o amor é um líquido muito quente
Colocado em recipiente de vidro
- somos suscetíveis a quebrar – depende dos detalhes de que somos feitos
Depende do que já passamos
Do que restou de nós
Do que refizemos – ou deixamos para trás

II.
Das quatro estações
Eu esperei pelo verão só para te ter aqui
E agora que estás presente
Preciso do inverno e da chuva
Chamar-te pra um café, um chá
Preciso te aquecer com um calor que emana de dentro
 respirar ar frio e aquecer nosso lar
Onde cada cor, cada peça importa
Onde cada fio de cabelo teu perdido no travesseiro
Deixa um pouco de identidade e significado
Onde os silêncios possuem certo conforto – bem como as palavras e músicas

III.
Os nossos medos são amigos falsos
Invadem nossa privacidade, deixam a casa suja
A alma fica suja – e aí eles se vão
Temos que descansar
Deixar as lágrimas lavarem
Aprender a não deixá-los mais entrar
E ainda exaustos, limpar a bagunça que foi feita
Para que ela não fique ali entulhando nossos dias
Mas aprendemos – temos de aprender
Essa é a terapia do trabalho
Essa é a rotina do amor

IV.
O amor é o que fica depois do temporal
É a disposição
É o silêncio enquanto mapeamos a alma
é vontade de ser em conjunto e continuar sentindo
O amor é o que somos quando sobrepomos todas as estações do ano.