Nessa casa que não é minha
Nesse andar
A vida que não me pertence em nada
Mas me engole os sentidos todos os dias
Fluo
Flutuo
O desespero da perda
O membro fantasma
A dor onde deveria existir algo
Que desapareceu e virou pó
Migalhas
Atrocidades que se doam a almas nuas
Despidas
Expostas nos seus vazios
No corriqueiro
Esquecidas em meio ao céu cinza
Porque são pontos de cor e luz
Que ninguém deseja ver – ofusca
Só sei escrever tristeza
Na ponta do lápis
No descaso de cada alvorecer
Essa despretensão em pintar algo bonito
Porque o dia chega
E me rasga o peito
Repetidas vezes
E encontro na letra, som que sai após tanto silencio
Um pouco de afago – acolhimento
Encontro a mim
Que há tanto estava perdida
Nos devaneios sobre o quanto de morte
Existe na vida.