sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

(Re)Encontro

 

Nessa casa que não é minha

Nesse andar

A vida que não me pertence em nada

Mas me engole os sentidos todos os dias

Fluo

Flutuo

O desespero da perda

O membro fantasma

A dor onde deveria existir algo

Que desapareceu e virou pó

 

Migalhas

Atrocidades que se doam a almas nuas

Despidas

Expostas nos seus vazios

No corriqueiro

Esquecidas em meio ao céu cinza

Porque são pontos de cor e luz

Que ninguém deseja ver – ofusca

 

Só sei escrever tristeza

Na ponta do lápis

No descaso de cada alvorecer

Essa despretensão em pintar algo bonito

Porque o dia chega

E me rasga o peito

Repetidas vezes

E encontro na letra, som que sai após tanto silencio

Um pouco de afago – acolhimento

Encontro a mim

Que há tanto estava perdida

Nos devaneios sobre o quanto de morte

Existe na vida.