sábado, 1 de setembro de 2018

Pássaros

I.
Um clarão entre todas essas nuvens escuras
Coisas que antes assustavam
Agora lembram você
e a vontade que eu tenho de enfrentar coisas inusitadas
já que os medos não fazem mais sentido

II.
Tem dias solitários em que sua companhia é tão presente
Nessas músicas que a gente escuta
Nos passos de dança bamba
Na ponta dos dedos folheando livros
No vapor quente que sai do café
Na maciez da tua pele à distância
nas coisas que nomeiam saudade
e te tornam real

III.
Queria te contar
que ontem adormeci com o gosto das coisas
que ainda não pude te dizer
tão francamente
Que você lembra aquelas esculturas difíceis de interpretar
mas que são tão bonitas
que uma vez admirando
é impossível manter distância
- como os pássaros de papel do Kiefer -
você me dá asas gigantes

IV.
Vem dançar comigo
Esse tempo é tão nosso
Todo tempo
é nosso
Agora e depois
preenchemos lacunas
Todo mundo fica confuso
enquanto a gente sorri
É  que as nossas asas
Só são vistas por nós.

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