I.
Perdi-me no que sou
Se é que sou o que já pensei ser
Considerando que a vida é feita de tantos ciclos
Cheios de metamorfose
E eu que perdi meus pedaços de papel e não sei nem
onde
Levanto algumas hipóteses
Tudo é surreal
II.
E se eu desistir da ideia do que minha palavra já
foi
E comprar papéis novos
Uma roupa nova para um novo corpo
-
O tempo é nosso maior amigo
E também nosso pior inimigo
Junto com todas as xicaras de café que eu me esqueço
de acabar – e esfriam.
III.
É o começo do outono
As palavras ficam mais fortes
Enquanto o mundo anda no limiar do caos
E eu sempre te tenho
Na alma, no corpo, na ponta
dos dedos
Eu sorrio porque sei que olhando para o lado
Teu sorriso é como uma
música preferida – sempre mais bonita cada vez que toca
IV.
Tem dias que são feitos
de silencio
E ali nos sentimos mais
presentes no mundo
Vemos a vida passar na
varanda
Os sons que compõe
todos os nossos dias- e que raramente paramos pra ouvir
Tudo pode ser bonito
Os pequenos pés sujos
de correr na grama – a infância
A covinha que aparece
quando você sorri
As pequenas marcas que
deixamos na casa
- estivemos aqui
O céu parece sempre
mais azul
Tudo vai passar
Menos os momentos
Que acabam por fazer
parte de nós.
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