I.
Ordinariamente tentando descrever sobre coisas
borradas que assolam aquilo a que vulgarmente chamo de interior – alma
Subjetividades reais demais para tudo que é tátil
Tropeços imensos
Que me deixam estatelada num caminho que se desintegra
O chão se desfaz enquanto tento levantar
II.
É engraçado como, quando tudo é escuro
A gente custa a lembrar como é a sensação da luz entrando pela janela
Torna-se apenas uma memória distante, um desenho no imaginário
Vai tateando pelos cômodos
Conhecendo as peças – estabelecendo um jeito de se guiar no meio do caos
No meio da dor
III.
Sonhei que tinha uma esperança
Como aquelas amizades tenras de senhoras que se encontram na varanda ao
entardecer
Com uma xícara de café
A esperança de ter o conforto no silêncio – o silêncio de uma amizade
antiga
De um amor - o que no fim das rugas, é quase a mesma coisa
As dobras do tempo nos põem apenas em páginas diferentes
IV.
Enquanto a luz se esconde
Tento lembrar como é estar desperta
Sentir as coisas na pele – deixar escorrer as lágrimas
Atravessar – porque a tristeza é sempre um pequeno rio
Mas é um rio que conheço
E por fim, não preciso ter medo de me afogar
Logo à margem
Sei que vou reconhecer o caminho da luz.
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