domingo, 30 de julho de 2023

Travessia

 

I.                    Ordinariamente tentando descrever sobre coisas borradas que assolam aquilo a que vulgarmente chamo de interior – alma

Subjetividades reais demais para tudo que é tátil

Tropeços imensos

Que me deixam estatelada num caminho que se desintegra

O chão se desfaz enquanto tento levantar

 

II.                 É engraçado como, quando tudo é escuro

A gente custa a lembrar como é a sensação da luz entrando pela janela

Torna-se apenas uma memória distante, um desenho no imaginário

Vai tateando pelos cômodos

Conhecendo as peças – estabelecendo um jeito de se guiar no meio do caos

No meio da dor

 

III.              Sonhei que tinha uma esperança

Como aquelas amizades tenras de senhoras que se encontram na varanda ao entardecer

Com uma xícara de café

A esperança de ter o conforto no silêncio – o silêncio de uma amizade antiga

De um amor - o que no fim das rugas, é quase a mesma coisa

As dobras do tempo nos põem apenas em páginas diferentes

 

IV.              Enquanto a luz se esconde

Tento lembrar como é estar desperta

Sentir as coisas na pele – deixar escorrer as lágrimas

Atravessar – porque a tristeza é sempre um pequeno rio

Mas é um rio que conheço

E por fim, não preciso ter medo de me afogar

Logo à margem

Sei que vou reconhecer o caminho da luz.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário